Ser pai na próxima 2ª feira (e outros projetos)

Jun 28, 2019 | NOT SO SECRET me

Vou ser pai na próxima 2ª feira, dia 1 de julho! É o culminar de uma de várias ideias que tenho andado a desenvolver e que se vai agora realizar. Bom, na realidade, esta ideia em concreto tem sido desenvolvida, desde o início, em parceira com a mãe. Da criança, claro!

A criança, a Emma, chega na segunda-feira, de cesariana, por volta das 10h, no Hospital da CUF Descobertas (caso vos apeteça aparecer!) e é um projeto no qual trabalhamos há uns 9 meses. Temo-nos vindo a preparar e estamos naquela fase em que percebemos claramente que se acabou “o tempo para estudar”. Portanto, segunda-feira “vamos a exame” e a matéria que não estudámos até agora, azar. Respondemos ao calhas, colocamos as cruzinhas à balda e seja o que tiver de ser. Depois, logo se vê a nota (quando ela chorar toda a noite, gritar que já não gosta de nós, bater o pé da sua independência, etc.).

Sempre quis ser pai, desde que me lembro. É claro que estou super ansioso para conhecê-la e aproveitar o momento… até entrar em choque e depois completamente em pânico. O que deve acontece com a seguinte timeline (recurso a termos ingleses para dar estilo ao texto):

• Momento do nascimento

• Alguns minutos depois (não sei bem quantos), coloca-se a pequena no colo do pai (leia-se, eu!)

• Dez segundos depois – aproximadamente, chega o estado de choque! (nota mental : não deixar cair a miúda).

• Mais 10 segundos depois, surge a pergunta : “O que é que faço agora com isto?!” e está-se oficialmente em pânico.

 

A partir daqui, é uma desgraça. Para ela, entenda-se.

A Ema é a nossa primeira filha e para mim é, por isso, importante fazer um balanço daquilo que se passou na minha vida até agora.

Em primeiro lugar, vou enumerar todas as coisas verdadeiramente importantes que já fiz : …

Passado o primeiro ponto, tenho de agradecer todas as coisas que me foram “caindo na sopa” e que me foram mostrando a sorte com que nasci.

 

A começar pela mãe da Emma, a Patrícia, que decidiu dar sentido à minha vida há praticamente 12 anos, tornando-se muito facilmente na melhor coisa que me aconteceu. E digo isto de forma literal ! A melhor coisa que pode existir na minha vida sou EU e a Patrícia sempre teve um papel preponderante para que eu faça com que o meu “eu” de amanhã seja sempre melhor que o de hoje. Além disso, faz muito mais sentido querer realizar coisas na vida quando é com ela que as partilho. Por isso, agradeço a sorte que tive ao decidir persegui-la insistentemente, ameaçando-a, especialmente quando ela dizia que não queria nada comigo.

 

Também é importante agradecer a uma empresa que me deu uma aventura profissional incrível. A minha chegada à cadeia de lojas de desporto do logótipo azul começou como muitas outras coisas que faço: à balda. Ao fim de 5 entrevistas – porque se esqueceram de mim a meio do primeiro processo de recrutamento (wtf?!) – lá consegui o meu emprego de vendedor part-time. Certinho de que seria uma passagem temporária até acabar a faculdade, estava longe de imaginar a magnífica aventura de quase 18 anos, em Portugal e França, com uma passagem por Africa, e mais de 8 (se não me falha a memória) cargos diferentes. Por isso, agradeço as decisões que tomei durante o meu percurso e que me levaram a viver uma carreira profissional com que só poderia sonhar.

 

Por fim, devo também agradecer a uma pessoa muito importante para mim. Não nos conhecemos de lado nenhum mas isso não faz mal. Chama-se Simon Sinek e diz umas coisas sobre o Porquê (se tiverem tempo, leiam o livro ou vejam as Ted). Este encontro inusitado – já que nunca aconteceu – fez com que percebesse qual é o “meu porquê” e isso fez com que tomasse a decisão lógica, ponderada e consensual de mudar a minha vida de pernas para o ar.

Deixei a empresa onde estava – tal de desporto, mudei de país (quer dizer, regressei a Lisboa) e comecei a viver o propósito que decidi dar à minha existência (pequena, para o bem de todos), a que chamo projeto de vida mas que os outros teimam em chamar empresa. Passei a ajudar outros a conseguir coisas, a ensinar coisas e descobri que há gente disposta a pagar-me para que diga coisas sobre temas… e, fazendo tudo isto regularmente, nunca mais trabalhei (ou tive a sensação de trabalhar). O que me agrada, confesso, porque não gosto de trabalhar. Não me agrada. Pronto ! Há pessoas que gostam, e tenho amigos que o fazem, mas trabalhar, a mim, não me diz nada.

 

Por último, aqui fica o teasing (ah, o teasing) sobre coisas que ando a preparar para quando a minha filha me voltar a deixar dormir à noite.

 

• Tenho uma vontade muito grande de ajudar o máximo de pessoas a conseguirem concretizar o que querem. É uma coisa que me alimenta. Ver pessoas que acreditam que não conseguem, conseguirem.

• Tenho vontade de juntar pessoas que queiram/possam colaborar neste ideia (parva!) de dar às pessoas ferramentas que lhes permitam conseguir fazer coisas extraordinárias (primeiro para elas, mas não só).
• Também tenho vontade de criar um espaço digital (mais uma referência a coisas modernas) para falar sobre esta história de ser responsável por uma (pobre) vida, destinado a todos os homens pais. Entenda-se, “destinado a pais” no sentido de me ajudarem a sobreviver a isto sem dar cabo da vida à miúda.

 

Isso vai dar coisas escritas, eventos, coisas ditas, etc. mais ou menos a partir de setembro. Isto é que foi um teasing fraquinho, huh ?

 

Posto isto, vou então colocar toda a energia a tentar fazer pela vida da Emma aquilo que não faço pela minha – i.e. tentar não estragá-la.

 

Valha-te, sempre, a mãe, filha. Se estás a contar com o pai, boa sorte.

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