Exercício: os 5 “Para quê”. Que se lixe o Porquê!

Mar 27, 2020 | COISAS PARA VOCÊS

Objetivo

Este exercício é um que utilizo muitas vezes em coaching e em facilitação. Por vezes, já se mostrou eficaz em reuniões com clientes, para preparar workshops, etc.

Vai que também é ótimo para crianças. Crianças que tenham, obviamente, a maturidade para compreender e seguir o exercício.

Já tentei fazer isto com a Emma, mas é verdade que aos 8 meses, confirma-se a ineficácia deste exercício. Ou de qualquer outro que não seja aguentar e chorar de desespero. Eu, não a Emma. Essa vive feliz sem saber os nervos que me causa.

Avancemos!

O exercício dos 5 Para quê é excelente para mostrar uma relação de não causalidade entre uma ação e o seu objetivo. É comum as pessoas colocarem em prática ações que acham que as levaram a um determinado objetivo, mas não é normal fazerem a relação entre as duas para confirmar. Isso tem que ver com as emoções e podem ler mais sobre isso no post “As 4 emoções primárias, ou as corridas ao supermercado por causa do coronavirus“.

Método

  • Face a uma intenção de ação, questionar a pessoa: “Para quê queres fazer isto?” (chamemos-lhe o Para_Quê_1)
  • Face à resposta “Quero fazer isto para…”, questionar “E para quê queres que isso aconteça?” (Para_Quê_2)
  • E assim sucessivamente até chegar ao objetivo final (Para_Quê_5)
  • Tendo o objetivo final, questionar a relação de causalidade : “Em que é que aplicares esta ação te vai ajudar a atingir o Para_Quê_5?”
  • Confirmar a utilidade da ação ou, em caso contrário, acompanhar a tomada de consciência e consequente aprendizagem, para depois trabalhar sobre uma ação que permita chegar ao Para_Quê_5.

Exemplo

Vivi isto com o Carlos, que confrontado com uma situação desagradável no emprego, achava que tinha de ir falar com a pessoa em questão e “dizer-lhe das boas, dar-lhe um apertão valente” (com tom enervado, agressivo).

  • Para quê queres ir “dizer-lhe das boas” com esse tom enervado, irritado?
  • Para que perceba que não é assim que se fazem as coisas. (ainda enervado e irritado)
  • Para quê queres que perceba que as coisas não se fazem assim?
  • Para que perceba que somos iguais e não pode decidir o que lhe apetece.
  • Para quê queres que perceba que são iguais?
  • Para que tenha algum respeito, porque isto assim não pode ser. (achei graça que não disse “para que me respeite”)
  • Para te sentires respeitado. É isso?

Neste ponto, não faz sentido voltar a perguntar “Para quê queres que te respeitem?”.
É uma necessidade legítima e indica que o Para_Quê_5 foi atingido no Para_Quê_3 😃

  • Como é que ires “dizer-lhe das boas, dar-lhe um apertão valente” – nesse estado emocional enervado e irritado – fará com que sejas mais respeitado ? (validação final de causalidade)

Neste caso concreto, o Carlos percebeu que, em vez de lhe dizer das boas e levantar a voz, teria de explicar ao colega que se tinha sentido desrespeitado com a sua atitude. Mas verificou-se um bocadinho mais difícil para ele e trabalhámos sobre isso mais tarde.

* o Carlos existe, mas não se chama Carlos 🤫

Dicas

Este método é simples de aplicar, mas requer alguma disciplina para saber validar as respostas dadas e quando parar.

É importante fugir da resposta ao “Porquê”, que é a primeira a ser dada. “Porque quando isto acontece…”. O que se procura com este método é o objetivo final, o “para quê”. Não hesites em redirecionar : “Não perguntei Porquê, mas sim Para Quê, com que Finalidade”

Também é necessário saber quando é que o objetivo final foi identificado, mesmo que não se façam as 5 perguntas. O importante do exercício é relacionar a ação com o objetivo real por detrás da necessidade demonstrada pela pessoa, que no caso do Carlos era respeito.

#coisasparaporempratica
#exercícioscoaching
#atividadesequipa

OUTRAS COISAS QUE TENHO DITO

Como se cria uma pessoa racista?

Como se cria uma pessoa racista?

Como se cria uma pessoa racista? - Nota introdutória Acerca deste texto sobre como se cria uma pessoa racista, é importante esclarecer desde já que este artigo só pode ser lido por criaturas que consigam distinguir conceitos como compreender, aceitar, concordar, etc....

Coisas que aprendi depois de 10 dias sem telefone

Coisas que aprendi depois de 10 dias sem telefone

Como são capazes de ter visto nas redes sociais, espatifei o vidro do meu iPhone. (gosto de dirigir-me no plural, como se houvesse mesmo mais do que uma pessoa a ler isto e que essa pessoa não fosse eu...) Nada de entusiasmante, como tudo aquilo que me acontece....

As coisas importantes da vida acontecem num segundo

As coisas importantes da vida acontecem num segundo

As coisas importantes da vida acontecem num segundo! Sempre tive esta convicção, que está intimamente ligada à 4ª dimensão: o tempo. Cada segundo é um acontecimento completamente diferente do anterior e do seguinte, e por isso torna-se em algo isolado. O que faz com...