A minha filha é muito bonita… mas é burrinha!

Abr 6, 2020 | NOT SO SECRET me

Como qualquer pai, acho a minha filha o bebé mais bonito do mundo.
Acontece que também acho que é meio burrinha.

Não é só burrinha…

A Emma tem 3 talentos. Coisas que faz com uma elegância incomparável :

  1. Cuspir sopa – a minha filha cospe sopa como ninguém.
    É brilhante a forma como consegue, com um único sopro, mandar à vida babetes (sim, plural), pijama (dela e meu), mesa, chão, móveis e tudo o que apanhar num raio de 2m. Fica um cenário do género dos filmes do Predador, ou Alien, com uma espécie de gosma a escorrer de tudo quanto é sítio.
  2. Colocar coisas na boca – também é uma coisa em que a Emma é excelente.
    Mãos? Boca. Inteiras. Brinquedos? Boca. Escova da mãe? Boca. Comandos da televisão nem vou comentar. Acontece-me frequentemente estar descansado a ver qualquer coisa e de repente ver o canal a mudar sozinho… Por um segundo, apanho cada cagaço que nem sei onde me esconder. Depois lembro-me que tenho um ser em casa que o destreza de comandar o aparelho de entretenimento com o único dente que tem na boca.
  3. Puxar cabelos alheios – a Emma puxa cabelos muito bem.
    Tenho de reconhecer que é uma das coisas que faz melhor. Não sei com quem terá aprendido esta skill, mas agradeço ser careca. Leva gentilmente a mão para junto da cara das pessoas – que normalemente se deixam enganar e dizem coisas tipo “festinhaaaa” – e a seguir, quando tem ao alcance dos dedos um bom molho de cabelos indefesos que nem sonham o que lhes espera, aplica-lhes o golpe. Agarra com toda a força; Puxa (mesmo a mostrar que sabe o que está a fazer) e depois ri-se com o seu único dente.

Mas é burrinha…

Tirando estas 3 habilidades, considero a inteligência da minha filha algo… ineficaz.

  • Para já, tem cólicas à noite. O que me parece, só por si, sintoma de uma burrice neonatal. Então mas a miúda não vê que, durante o dia, estamos mais disponíveis (e com mais paciência)?! Em vez de ter as dores de barriga durante o dia, prefere exercitar a caixa pulmonar à noite, na altura em que todas as outras pessoas (do mundo!) têm mais que fazer – dormir, por exemplo.
    É prova de burrice, uma vez que o choro à noite, sendo o único barulho, é muito mais incómodo.
  • Dorme quando está um barulho desgraçado e depois não quer dormir quando tudo está silencioso – ainda no seguimento da má gestão do tempo.
    É claro que a Emma dorme deliciosamente durante o dia. Quando a televisão está ligada, quando os vizinhos tocam Martinho da Vila (wtf?!?) em altos berros, quando as pessoas conversam, a campainha toca, os telemóveis também e mais o que houver.
    Agora, quando chega a noite? “Isso querias tu, paizinho!“. De pestana aberta, a explorar o teto como se fosse uma obra arquitectónica invejável, aí está ela, como que a avisar que “esta noite ninguém dorme cá em casa“. É também sinal de burrice neonatal, uma vez que desestabiliza todo o sistema de hibernação que existe instalado há anos nesta casa. E isso é inaceitável.
  • Tira constantemente a chucha da boca, para depois reclamar, com uma caixa pulmonar de fazer inveja a qualquer saxofonista, por não ter chucha!
    Tenho falado muito sobre isto com ela. É que tira-me do sério sem necessidade nenhuma, a bebé. Vai lá mesmo com as mãos tirar a chucha da boca e depois é um berreiro que não se pode enquanto não lha pusermos outra vez. Para quê ? Para quê ? Para voltar a tirá-la.
    A minha mulher diz que não, mas eu sei que é de propósito. Já tem uma queda para a manipulação…
    É sinal de burrice, uma vez que tem tudo aquilo de que necessita para se acalmar (Charan! A chucha!) e abdica disso para depois se indignar por estar – imagine-se – sem chucha.
  • Usa mãos e pernas sempre quando e para o que não deve. É uma espécie de bug, de vírus (não o corona, mas aqueles informáticos). Os membros só existem para estorvar alguma coisa. Ela sabe que tem 2 braços e 2 pernas, mas não sabe bem para quê. Então, diverte-se a lixar-nos a vida quando estamos a fazer seja o que for que necessite que ela esteja quieta.

Quando se muda a fralda, insiste em espernear o mais que puder na hora de voltar a vestir. Aquilo é de ficar maluco : põe-se uma perna; quando se está a por a outra, está ela a espernear a tirar a que já estava. Parece que está a levar choques elétricos.
Quando se quer dar o biberão, onde é que estão as mãos ? Na boca! Tira-se-lhe as mãos da boca, pega-se no biberão para lhe dar e onde é que estão outra vez as mãos ? Pois é…
Há que realizar um sprint. Ver em quanto tempo é possível (1) tirar-lhe as mãos da boca, (2) pegar no biberão e (3) colocar na boca antes que as mãos voltem lá para dentro.
É necessária uma certa perícia que obriga à adoção de uma série de estratégias : colocar o biberão o mais perto possível da cara; tentar segurar-lhe as mãos com o braço que a pega ao colo para ter a outra mão livre; vestir-lhe uma camisa de forças em miniatura (ainda não tentámos esta porque a Polícia leva a mal)…
É sinal de burrice, uma vez provoca a sua própria ansiedade, como muitas vezes lhe digo. “Filha, se estivesses quietinha já tinhas comido/estavas vestida/etc.”

Parece-me evidente que se impõe uma conversa séria com a miúda sobre isto, assim que possível. Já tenho tentado chamá-la à razão, mas fico com a sensação de que olha, de facto, para mim, mas não me liga nenhuma. É uma falta de respeito que temos de corrigir.

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