Exe Facilitação: Método Disney, Robert Dilts

Abr 23, 2020 | COISAS PARA VOCÊS

O meu cliente queria algo diferente. O tema não era novo para ele, ou para a equipa. A questão era mesmo essa. Já toda a gente tinha convicções bem definidas e a falta de escuta estava a dificultar o avanço da coisa.

– “Conhece o método Disney?” – perguntei eu.

Olhou para mim com um ar um bocado parvo, a pensar para ele:  “Queres ver que este vem para aqui falar do Mickey?!”
E lá lhe expliquei melhor por que razão valia a pena não me mandar embora já 😀

Robert Dilts criou, em 1994, o Método Disney com base na metodologia de trabalho que Walt Disney utilizava para confirmar que ideias podiam resultar.

Trata-se de um método de simples implementação. A animação – para o facilitador – não é das mais complicadas mas requer algum rigor na condução do grupo.
Existem 3 fases, mas eu início sempre com uma preparação:

Fase zero (preparação) – Outsiders

Esta fase de diagnóstico permite garantir que toda a gente tem a mesma compreensão do problema. É o mais importante que faço em cada grupo que acompanho. Garantir que toda a gente tem a mesma base de compreensão e a mesma interpretação do problema inicial evita – e muito! – que se derive na fase de resolução.

Procura-se compreender todas as interpretações feitas pelos participantes e chegar a uma que tenha em conta o que é importante para o coletivo.

Começo sempre por questionar: “Qual é o problema afinal?” e o resto é mágico. Toda a gente sabe perfeitamente qual é o problema. Mas ninguém concorda com ninguém.

Fase de busca de soluções – DREAMER

Depois de todos terem a mesma base de partida, é iniciada a fase Dreamers, que procura encontrar soluções inovadoras, sem ter em conta processos, nem dificuldades.

“O que é pretendido no final?”
“Se tivessem meios para fazer qualquer coisa, qual seria a solução ideal?”
“Quais serão os frutos do resultado final?”
“Que contributo esperamos dar com esta solução?”

Estas são algumas das milhões de questões possíveis para esta fase. Para o facilitador, é crucial manter o foco do grupo nas soluções e não nos meios ou dificuldades. O importante nesta fase é “sonhar”.

Fase de processo – REALISTIC

Na segunda fase, a tarefa do coletivo é tornar realizáveis as soluções validadas na fase anterior.

“Como é que vão ser realizadas concretamente?”
“De que necessitamos para colocar em prática?”
“Quanto é que isto vai custar? Quanto tempo vai levar?”
“Quem vai pagar?”

Questões sobre processo são agora o centro do exercício. O facilitador afasta o grupo das dificuldades ou pensamentos do tipo “Mas isso não vai ser possível”. Agora é hora de tornar concretizável o que foi validado como solução.

Fase de validação – CRITIC

A última fase era a preferida de Walt Disney. Dizia que as ideias que conseguissem passar esta fase seriam, provavelmente, grandes sucessos.
Trata-se aqui de dar luz a todas as dificuldades e impedimentos à realização do que foi construído nas fases anctecedentes.

“Quais são as possíveis objeções a esta ação?”
“Quem se vai opôr e porquê?”
“Qual será a pior altura para colocar em prática?”
“O que pode fazer com que não funcione?”

Naturalmente, depois desta fase – ou durante – cabe ao facilitador convidar e conduzir o grupo a encontrar soluções para as objeções levantadas.

Nesta fase, as objeções podem ser mais facilmente levantadas porque (1) as soluções são agora muito mais concretas que quando andavam nas ideias vagas de cada participante, antes do workshop e (2) porque, por isso mesmo, a motivação do coletivo deve ser agora maior. O facto de (quase) ver a luz ao fundo do túnel através do trabalho realizado fará com que o grupo tenha menos probabilidade de se deixar ir abaixo nesta fase final.

Foi o que fizemos com este grupo. Num espaço com 3 salas, criei 3 ambientes diferentes e os participantes passavam de uma sala à outra quando mudava de exercício. É vísivel a diferença de energia entre uma sala e outra. E o facto de mudar fisicamente de espaço, ajuda bastante ao shift de mindset que é necessário adotar a cada vez.

O método Disney permite assim aos Dreamers imaginar soluções inovadoras para um problema, aos Realistics ser pragmáticos e analisar a operacionalidade das ideias deixadas pelos Dreamers e aos Critics avaliar e corrigir todas as possibilidades de a coisa correr mal.

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