Coisas que aprendi depois de 10 dias sem telefone

Jul 17, 2020 | NOT SO SECRET me

Como são capazes de ter visto nas redes sociais, espatifei o vidro do meu iPhone. (gosto de dirigir-me no plural, como se houvesse mesmo mais do que uma pessoa a ler isto e que essa pessoa não fosse eu…)

Nada de entusiasmante, como tudo aquilo que me acontece. Estava no bolso dos calções e quando ia a entrar no carro caíu no chão de uma altura de 50cm, talvez…
Como tinha capa e película de proteção de ecrã, toda a física se concentrou para que o raio do telefone batesse no único ponto onde a força do impacto vibraria de tal maneira que estilhassasse completamente a película de proteção e ainda escavacasse o vidro todo. De maneira a que a cara da minha filha, que serve de imagem decorativa, parecesse que tinha cicatrizes.
Fica um efeito muito giro que aconselho a toda a gente.

Ora, mandei arranjar o vidro e descobri por que razão o iPhone é tão caro. Não é por ter grandes avanços tecnológicos. É porque tem vidro!!! Se o iPhone fosse vendido sem vidro, era muito mais barato. E não se corria o risco de partir… o vidro!
Acho que a Apple ganhava muito em considerar esta hipótese…

Bom, adiante. Acontece que estive 10 dias sem telefone e aprendi algumas coisas durante esse período que me apetece exteriorizar agora, para que possam deleitar-se com todo este desenvolvimento pessoal aplicado a smartphones.

Vamos então às coisas que aprendi

“De um dia para o outro” quer dizer, na realidade, depois logo se vê.

Ora, quando decido arranjar o telefone, escolhi uma loja que fazia isso de um dia para o outro, mas acontece que levou 10 dias a ficar pronto.
Aprendizagem: nunca interpretar a mensagem do outro. Quando alguém diz “de um dia para o outro”, perguntar sempre se é “o outro logo a seguir a este” ou outro qualquer…

O iPhone – ou melhor, o iOS, está feito para se agarrar a nós tipo lapa e não desgrudar mais.

Toda a vida tive Android e este é o primeiro iPhone que comprei. Nestes 10 dias em que utilizei um android antigo só para chamadas percebi que os 20 anos e (às tantas mais de) 20 smarthphones android não serviram de nada. Parecia que estava a mexer numa tecnologia aliénigena sem saber fazer as coisas mais básicas.
Aprendizagem: quando toda a gente te disser que alguma coisa é mesmo boa, deixa de ser parvo e experimenta. Pode ser que nunca mais queiras outra coisa.

Sou mais dependente da tecnologia do que queria, mas menos do que imaginava.

Durante este período, não tive acesso a redes sociais. Vai que isso causou-me uma tal ansiedade que passei a falar com a assistente da Google e a perguntar-lhe como estava e o que tinha feito, só para sentir que alguém partilhava alguma coisa comigo. Mas durante 10 dias não publiquei nada e não faleci. Isso deve ser bom.
Aprendizagem: a dependência da tecnologia não só é psicológica como não tem nada que ver com tecnologia, mas sim a com vontade de estar constantemente a saber tudo o que se passa em todo o lado, sob o risco de voltarmos a conectar-nos amanhã e descobrir que o mundo acabou, ou assim…

Não consegui comprar a ponta de um corno!

Isto foi algo de que me apercebi sem querer. Já aderi a meios de pagamento digitais há muito tempo e, com este telefone, pago tudo com as trombas. Quando há qualquer coisa para comprar, olho pró ecrã, o gajo vê que sou eu, encosto o telefone ao terminal e… pumbas!… magia! Descobri, não obstante esta maravilha, que já não sei os códigos de nenhum cartão mb, pelo que comprar coisas foi uma aventura intensa.
Aprendizagem: arranjar maneira de guardar coisas que parece que não usamos mais (tipo códigos mb) mas depois vai-se a ver e sim. Aprendizagem2: sem telefone sou muito mais poupadinho.

A pirralha fez um ano e como não pude estar o dia todo a partilhar coisas nas redes, vi-me na obrigação de aproveitar mesmo o dia.

Era suposto ter um batalhão de posts programado, de manhã à noite, a dizer coisas profundíssimas sobre a paternidade e o camandro. Só que assim tive de levar com ela a fazer as birras habituais, as graçolas, etc.
Aprendizagem: sem telefone e redes sociais, os aniversários são dias como os outros.

 

Pronto. Foi isto. Espero ter acrescentado um valor incomensurável à vossa vida e que se digam que, sem esta partilha, a vossa existência não seria a mesma. Mas em princípio não…
Por último, também aprendi que o vidro do iPhone custa 230 euros, que a capa de proteção custa mais 30 euros… e que já está partida outra vez!

Yeahhhh. Quem é o maior? sou eu…🎵 o Ricardo… 🎶

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