À conversa com a Cobardia
[que treta de conversa esta para tentar compreender a cobardia…]

Ricardo: Então, tansa! Como é que é? ‘Tás boazinha ou não queres dizer?
Cobardia: Antes de mais, receção deixa-me um bocado intimidada, sabes? Fico um pouco bloqueada.

R: E que não fosse. Até bocejar te deve deixar bloqueadinha, não? Mandar ar para fora pode ser um perigo monstruoso. Não queremos que haja mal no mundo porque vossemecê boceja.
C: Não me parece uma atitude correta achincalhar-me. É difícil para mim fazer isto às pessoas. Pô-las neste estado, deste modo, com estas reações esquisitas, enfim…

R: E então? O que é que tencionas fazer sobre isso?
C: Eu não tenciono fazer nada, embora isso não esteja certo.

[oh, pelo amor da Santa]

R: É claro que não tencionas fazer nada. Bem como NUNCA tencionas fazer nada. És mesmo tansa!
Tu não serves para fazer nada. Seja como for, nem para te apresentares serves. Ouve lá, tu és cobardia ou covardia?! [em ar de gozo]
C: De facto, é irrelevante. Posso ser chamada de Cobardia ou de Covardia.

R: Tanto faz, né? [em tom irónico] Não vamos estar aqui a criar atritos tomando posições sobre a forma ideal de apresentação. “Chamem-me o que quiserem e está resolvido, que assim não corremos o risco de chatear ninguém”.
C: Não quero impor-me. Naturalmente, venho do latim coda, que significa cauda. Há quem defenda que a minha verdadeira origem está no frâncico couard, que significa cauda baixa. Na realidade, parece-me tudo igual.

[é tudo igual que não estamos aqui para pisar os calos a ninguém]

R: Tu apareces por que raio? Tu não serás a mesma coisa que o medo?
C: Não. Sou despoletada por ele, mas não somos a mesma coisa. Eu posso manifestar-me como uma inércia que surge através do teu medo, por exemplo. Sou uma não ação, um “deixa andar” consciente. Sou um ato de infidelidade aos teus próprios valores.
Mas venho dos teus medos, sim. E do conformismo também.

R: És uma tansa. É o que tu és!
C: Também já te servi muitas vezes como estratégia de adaptação. E até de sobrevivência. Ou esqueces-te das vezes em que finges que não estás a ver? Ou aquelas em que não queres intervir? Esqueces-te que dessas vezes dou muito jeito? Esqueces-te de imaginar como seria se fizesses ou dissesses alguma coisa?

[tu queres ver que és uma maravilha e eu não sabia]

R: Então e isso muda alguma coisa?! [em tom irritado]
És uma tansa e isso é só mais uma prova. Tem algum jeito não seres capaz de defender aquilo em que acreditas por cobardia? Ou covardia? És tão tansa que nem para existir sozinha serves. Sem medo, nem sequer existes.
C: Todos somos origem de alguma coisa. A minha origem está nos teus medos, sim. Mas eu sou a origem de todos os teus “e se…“.
Ao realizares tudo aquilo que imaginas mas que tens medo de colocar em prática, teríamos esta conversa muito menos vezes, não é?

R: É só começar a fazer e a tansa desaparece. É isso?
C: Ajuda, mas não basta. Eu existo sobre outras forma sem ser a da inércia ou omissão. Existo através dos teus pensamentos ou a fuga deles. Igualmente, existo quando decides ignorar sentimentos pela dor que evitas sentir. Tudo isso são também aparências da minha expressão.

R: Já sei. Podes ser passiva ou ativa. Afinal, para quem não serve para nada, até não estás mal servida.
C: É verdade. Primeiramente, a minha forma passiva é justamente a tua não ação. Contrariamente, a minha expressão ativa é aquela em que prejudicas intencionalmente alguém para evitar demonstrar aquilo que consideras fraquezas e, dessa forma, parecer algo que não és.
Inclusivamente até encontraram um nome catita para isso. É o bullying. [em tom orgulhoso]

[e está na hora de ires dar uma volta]

R: Efetivamente, és a maior. [em tom depreciativo]
Por um lado, não faço nada porque tenho muito medo. Não me mexo, não luto, não reivindico, não coisa nenhuma. Noutras palavras, fico só aqui como quem não quer nada à espera que a coisa se resolva sozinha. Se possível, sem chatice para o meu lado.
Por outro lado, dá mais jeito que seja ativa? Com certeza!
Então trato mal os outros para não deixar transparecer os meus medos. Quanto mais me impuser, menos as pessoas vêem a trampa que existe por debaixo da imagem superficial.
Assim há para todos os gostos!
C: É o que há.

R: Em boa verdade, não. Não é o que há! Tu és uma merda que nem sequer existe, ouve lá?!
Afinal, és apenas um valor moral que nos auto impomos sobre a forma como achamos que deveríamos agir.
Definitivamente, tens tanta coisa para dar errado, cob•v•ardia…

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