À conversa com a insegurança emocional
[se estou a falar com emoções, é óbvio que se trata de insegurança emocional, mas o SEO diz que é melhor reforçar 🤷]

Ricardo: Olá, Insegurança emocional [lá está]. Anda, que está tudo bem.
Insegurança: De antemão, não sei se sou boa para isto…

R: Naturalmente. [em tom irónico]
Por isso é que estamos a ter esta conversa. Quando tu apareces, eu também não tenho segurança nenhuma.
I: Pois, mas parece-me que isto é muito para mim…

R: Tu és um bocado como estar pendurado de um arranha-céus, não és?
I: Sim, preso a uma linha de costura. Por um lado, estás ali. Factualmente não caíste. Por outro lado, tens um feeling que aquilo só pode dar merda. É-te impossível não pensar constantemente nas coisas que podem correr mal.

R: Ou seja, impedes-me de apreciar a vista lá de cima. [tu que estás a ler, assume uma vista lindíssima, por favor]
I: Tanto quanto estiveres concentrado em te espatifares ao comprido, cá em baixo, que nem um ovinho mexido.

R: Ora é por isso que, ao estilo Ricardo Kondo, te catalogo na caixinha das emoções da treta! Qual é a tua origem?
I: Ai… Do contrário, a Segurança vem do latim SINE CURA, que significa sem cuidado (necessário). Algo que está de tal modo garantido que não requere cuidados. Eu levo-te justamente ao oposto. Comigo, tudo requer cuidado, nada é garantido, já que tudo pode ser perdido.

[fui ao psicólogo por ser inseguro acerca da minha aparência e ele pediu-me para me deitar no divã virado para baixo 😂]

R: E por que raio és assim?
I: Sou assim porque não tens auto estima! Que culpa tenho eu?!
Eu sou apenas o sintoma da tua vulnerabilidade. Sou o mal-estar constante quando te sentes incapaz…

R: Mas sou! Conheço as minhas limitações.
I: Nop. Ter consciência das próprias limitações, com uma atitude positiva e de respeito próprio, é o que traz a grandiosa Humildade.

R: E tu és diferente em quê? A análise não é a mesma?
I: Eu sou apenas uma interpretação emocional. Comigo não tens amor próprio. É essa a diferença.

[o cúmulo da insegurança é mascarar-me de dinheiro no carnaval para ver se alguém me pega 🤦]

R: E manifestas-te concretamente como?
I: Sou mais uma a pertencer ao grupo do Medo. Nesse contexto, faço-te percecionar a positividade do presente como sendo temporária e acreditar que, mais cedo ou mais tarde, vai descambar. Envolvo-te num estado emocional de fragilidade e posso oferecer-te sentimentos de inferioridade, incapacidade, sentir que não mereces, medo da crítica, de falhar, da rejeição, etc.

R: E se estiver numa de apostar em ti a sério?
I: Podemos ir juntos até à timidez, por exemplo, estado paranóico e até isolamento social. Alternadamente, posso provocar-te comportamentos de arrogância, superioridade e mesmo agressão, como tentativa de compensar a imagem diminuída que tens de ti próprio.

[onde é que já ouvi um discurso destes? 👇]

R: Dás para os dois lado, como a Cobardia
I: Talvez. Ainda assim, o mais normal é seres um controlador da porra que ninguém atura por acreditar que a única forma de não deixar as coisas darem para o torto é controlar tudo à sua volta.

R: Mas também não quer dizer que as coisas corram sempre mal. É o medo.
I: A maioria das vezes não correm. É aí que está a beleza!
Tu andas anos a viver com medo de que as coisas corram mal. Em boa verdade, quer dizer que andas há anos seguro, a viver coisas que “estão bem”, mas atormentado pelo dia em que eventualmente poderão deixar de estar…

R: Por outras palavras, que imbecilidade majestosa! De onde é que vem esta idiotice?
I: Erik Erikson fala sobre a Segurança no primeiro estágio da Teoria do desenvolvimento psicossocial, Confiança-Desconfiança. Diz ele que esta está diretamente relacionada com a relação que a criança mantém especialmente com a mãe, e o amor que recebe desta de forma a satisfazer certas necessidades, até aos 18 meses.

R: Ah, se a mamã não dava beijinhos ao bebé, toma lá morangos….
I: Juntamente com deixar o bebé chorar à noite porque “tem que aprender”. E não dar colinho porque “tem que começar a andar”…
Querias o quê? Milagres?
Um Ser completamente perdido no universo em que se encontra, vê-se sem poder confiar na única pessoa a quem está ligado desde o início da sua existência, vai confiar no resto da Humanidade?!

[ora, 9s fora nada, o estafermo já tem 20 meses, quer dizer que o estrago está feito; azar, o Erikson diz que a culpa é da mãe 😇]

R: Porém, dá para me ver livre de ti?!
I: Dá, pois. É claro que sim.
Primeiramente, há que trabalhar a imagem que tens de ti próprio…

R: Certo, certo… Next!
I: Igualmente, é necessário modificar as tuas crenças. Por exemplo, deixares dar tanta importância à Lei de Murphy é um bom começo.

R: “Se pode correr mal, em princípio corre”.
Hmmm… vou pensar nisso. E mais?
I: Do mesmo modo, a terapia com um profis…

R: Tá bem! Tá bem! [em tom irritado]
Essa já está em andamento. Vá, a seguir!
I: Em seguida deves aprender a viver com o risco, sem imaginar constantemente que vai dar para o torto.

R: Hahaha. Essa é boa. Definitivamente, viver com o risco! Não saber, não controlar, não garantir…. Hahaha!
I: No entanto, o risco vivido de forma consciente é o antídoto perfeito para a insegurança. Permite adaptar a estratégia de uma forma realista.

R: E qual é o problema dessa merda? – perguntas tu.
I: Hmmmm…

R: É que aceitar o risco quando és inseguro é como seres vacinado contra o medo de vacinas!

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